sexta-feira, 29 de maio de 2009

ESCOLHA MÓRBIDA

Não ouse me dar um tiro noturno
A noite tem que ser respeitada
Se nela gritos emanam
Eles hão de vir de quartos fechados
Onde não mais que duas pessoas, talvez três escutem
Se bem que a alma é melhor saciada com gemidos
Os gritos por vezes são falsos
Salvo quando geram dor

Se for para atirar, que atire a luz do sol
Pois quero sentir o prazer de ver pela primeira vez
O meu sangue manchar a terra
Fazendo estremecer as pernas, calar a boca e ofuscar a visão
E que o silêncio seja verdadeiro,

Quero que o dia esteja claro e bonito para que todos vejam a inocência do meu corpo
Que meu grito seja sincero,
E que não represente dor
Para que cada vez todos se omitam mais, aceitem mais,
Apenas por temer a simplicidade da morte.

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